Aspirador industrial ATEX Zona 21: quando é obrigatório 

Silo de farinha, saída de moinho, áreas de ensaque e descarga. Se a limpeza da sua planta passa por este cenário várias vezes ao dia, a pergunta é se o PCR está de acordo com o cenário. 

É se o atual processo de limpeza atende as normas de segurança exigidas para esta operação e se o equipamento utilizado para a aspiração atende a zona especificada no mapeamento de risco.

Em áreas classificadas como Zona 21, o aspirador industrial ATEX (também chamado de aspirador à prova de explosão) não é opcional: é exigência técnica com respaldo em norma brasileira. 

Comprar o equipamento que não atenda a segurança intrínseca a esta operação é transformar a própria limpeza da planta em uma condição de incidente pela possibilidade de gerar fonte de ignição.

O problema é que boa parte das indústrias só descobre a diferença entre Zona 21 e Zona 22 quando já é tarde, seja numa auditoria, seja depois de um incidente. Entender o que caracteriza essa zona e como especificar o aspirador certo evita tanto o risco físico quanto a exposição regulatória.

O que caracteriza uma área como Zona 21

A classificação das áreas com risco com poeira combustível segue a norma ABNT NBR IEC 60079-10-2, que define três zonas conforme a frequência com que a atmosfera explosiva se forma. 

A Zona 21 é a área na qual uma atmosfera explosiva, na forma de nuvem de poeira combustível no ar, pode estar presente eventualmente em condições normais de operação, conforme a própria ABNT NBR IEC 60079-10-2. Veja também este artigo técnico sobre classificação de áreas com poeiras combustíveis.

Na prática, isso corresponde ao entorno imediato de pontos de emissão de poeira, como bocas de descarga, saídas de moinhos, sistemas de transporte pneumático e áreas próximas a equipamentos que geram pó regularmente durante a operação normal, não apenas em falha. 

É uma zona intermediária: mais crítica que a Zona 22, menos severa que a Zona 20.

Zona 21 não é o mesmo que Zona 22

A confusão entre as duas é um dos erros mais comuns na hora de especificar equipamento. Na Zona 22, não se espera que a atmosfera explosiva ocorra em operação normal, e se ocorrer será de forma, eventual e por curto período. 

Na Zona 21, essa formação é considerada provável durante o funcionamento normal do processo, não uma exceção. Essa diferença de probabilidade muda diretamente o nível de proteção exigido do equipamento que vai operar ali dentro, incluindo o aspirador usado na limpeza.

Quando o aspirador ATEX Zona 21 é obrigatório?

Sempre que o estudo de classificação de áreas da fábrica identificar que a região onde a limpeza será feita se enquadra como Zona 21, o uso de equipamento certificado deixa de ser recomendação e passa a ser obrigação técnica. 

Isso costuma acontecer no entorno de silos de grãos, moinhos, misturadores de pó, linhas de embalagem de produtos secos e pontos de transferência de material particulado em indústrias alimentícias, farmacêuticas, químicas e de processamento de metais.

Vale reforçar que essa classificação não é responsabilidade do fabricante do aspirador. É responsabilidade do projeto de área classificada da própria planta, normalmente conduzido por engenheiro com competência técnica específica. O equipamento entra depois, como resposta à classificação já definida, não como ponto de partida da análise.

Ignorar essa exigência expõe a operação a dois riscos simultâneos: o risco físico real de ignição de poeira combustível durante a própria limpeza e o risco regulatório de autuação numa fiscalização de segurança do trabalho. 

A NR-10 (item 10.9.2) exige que equipamentos elétricos para atmosferas potencialmente explosivas tenham conformidade avaliada no Sistema Brasileiro de Certificação, e a Portaria Inmetro nº 115/2022 define como essa certificação é feita. 

Setores mais expostos a essa exigência

Indústrias que trabalham com farinha, açúcar, amido e outros pós alimentícios finos lidam com Zona 21 de forma quase rotineira, especialmente em torno de silos, moinhos e linhas de embalagem. 

O mesmo vale para farmacêuticas que manipulam pós ativos e excipientes, para metalúrgicas que geram pó de usinagem de alumínio, e para indústrias químicas que processam granéis combustíveis.

Nesses setores, a limpeza não é tarefa opcional,precisa ocorrer várias vezes ao dia, justamente nos pontos onde a poeira se acumula com mais frequência. Isso reforça porque o aspirador utilizado nessa rotina precisa ter a certificação correspondente à zona, e não apenas parecer robusto o suficiente para o trabalho pesado.

Como funciona a marcação Ex de um equipamento para Zona 21?

Todo equipamento certificado para atmosfera explosiva carrega uma marcação Ex que informa, em código, para qual risco específico ele foi projetado. Uma marcação típica para poeiras combustíveis é algo como Ex tb IIIC T100°C Db, e cada bloco tem um significado técnico direto. 

O “Ex” indica equipamento para atmosfera explosiva. O “t” é o tipo de proteção por invólucro, específico para poeiras. A letra que segue, como o “b”, indica o nível de proteção correspondente à zona.

O grupo “IIIC” identifica o grupo de poeiras ao qual o equipamento é compatível. É o mais severo, já que inclui poeiras condutivas como as metálicas, conforme detalha uma análise técnica sobre poeiras explosivas e áreas classificadas. 

A classe de temperatura, como T100°C, indica a temperatura máxima de superfície que o equipamento pode atingir, valor que precisa ficar abaixo da temperatura de ignição da poeira presente, com margem de segurança. A ABNT NBR IEC 60079-14 limita, por exemplo, a temperatura de superfície a 2/3 da temperatura de ignição da nuvem de poeira.

O que significa EPL Db na prática

O EPL, sigla para Equipment Protection Level, é o indicador direto de para qual zona aquele equipamento foi certificado. Para poeiras combustíveis, o EPL Da é destinado à Zona 20, a mais severa. O EPL Db é destinado especificamente à Zona 21. Já o EPL Dc atende à Zona 22, a menos crítica das três.

Isso significa que, ao especificar um aspirador para uma área classificada como Zona 21, o documento técnico do equipamento precisa apresentar EPL Db ou superior. Um aspirador com EPL Dc, certificado apenas para Zona 22, não atende ao requisito de segurança de uma Zona 21, mesmo que pareça tecnicamente similar à primeira vista.

A certificação do motor não é a certificação do conjunto

Um ponto técnico que gera confusão frequente é a diferença entre a certificação do motor e a certificação do equipamento completo. 

Em muitos aspiradores ATEX, o componente elétrico certificado é especificamente o motor, ensaiado e marcado pelo próprio fabricante desse componente sob a Portaria Inmetro nº 115/2022. Isso não significa automaticamente que todo o conjunto do aspirador, incluindo carcaça, mangueiras e sistema de filtragem, também carrega essa mesma certificação.

Na hora de especificar, vale pedir ao fornecedor a documentação clara sobre o que exatamente está certificado: só o motor, ou o equipamento como um todo. Essa distinção evita a falsa sensação de segurança de comprar um aspirador “com motor ATEX” que, na prática, não tem certificação de conjunto reconhecida para a zona da sua operação.

Passo a passo para especificar o aspirador certo

O primeiro passo é sempre a classificação técnica da área, etapa que define zona, grupo de poeira e classe de temperatura exigida, normalmente formalizada num estudo de área classificada assinado por responsável técnico. Sem esse documento, qualquer especificação de equipamento fica baseada em suposição, não em dado técnico verificável.

Depois de ter a classificação em mãos, o próximo passo é traduzir essa informação na marcação Ex mínima exigida, cruzando zona, grupo de poeira e temperatura de ignição do material presente. Só então entra a seleção do equipamento propriamente dito, escolhendo o aspirador cuja marcação Ex atenda ou supere o mínimo exigido pela área. 

Além da marcação, confira os itens que evitam a eletricidade estática, uma das fontes de ignição mais subestimadas na aspiração de pó: aterramento de toda a estrutura, mangueira condutiva e filtro antiestático.

O último passo, frequentemente esquecido, é documentar a certificação do componente e mantê-la no dossiê da instalação, junto de qualquer ART ou laudo técnico relacionado. Isso não é burocracia adicional, é a evidência que sustenta a conformidade da fábrica numa auditoria ou fiscalização futura.

Aspirador elétrico ou pneumático para Zona 21?

Essa decisão depende diretamente da infraestrutura disponível na planta e do nível de risco tolerado. Um aspirador elétrico certificado para Zona 21 carrega motor e toda parte elétrica com proteção Ex específica, capaz de operar na área sem se tornar fonte de ignição, desde que instalado e mantido conforme a certificação exige.

Já o aspirador pneumático, alimentado por ar comprimido, não tem motor elétrico. Isso tira da equação a fonte de ignição elétrica, mas não elimina a eletricidade estática: aterramento e mangueira e acessórios condutivos continuam indispensáveis.

Em plantas que já possuem rede de ar comprimido robusta, essa opção reduz a complexidade de manutenção da certificação Ex ao longo do tempo, já que não necessita de reparos elétricos.

A escolha entre os dois normalmente equilibra três fatores: disponibilidade de infraestrutura elétrica ou pneumática na área, criticidade da operação de limpeza e custo total de manutenção ao longo da vida útil do equipamento.

Um aspirador certificado para Zona 20 serve também para Zona 21?

Sim. A lógica de hierarquia de proteção nas normas de área classificada permite que um equipamento certificado para a zona mais severa atenda também às zonas menos críticas.

Um aspirador com EPL Da, certificado para Zona 20, é tecnicamente adequado tanto para Zona 21 quanto para Zona 22, já que o nível de proteção embutido no equipamento é superior ao mínimo exigido nessas duas.

O caminho inverso não funciona. Um aspirador certificado apenas para Zona 22, com EPL Dc, não pode ser usado numa área classificada como Zona 21, porque o nível de proteção é insuficiente para a probabilidade de formação de atmosfera explosiva característica desta zona intermediária.

Erros comuns na especificação de aspiradores ATEX

Um erro recorrente é confiar apenas na palavra “ATEX” na descrição comercial do produto, sem verificar a marcação Ex completa e o EPL correspondente. Nem todo equipamento anunciado como “ATEX” está certificado para a zona específica da sua operação, e a diferença entre Zona 21 e Zona 22 muitas vezes aparece só na letra miúda da ficha técnica.

Outro deslize comum é tratar a certificação do motor como certificação do equipamento completo. 

Em muitos aspiradores, é o motor que carrega a certificação Ex, emitida sob a Portaria Inmetro nº 115/2022, e essa certificação não deve ser automaticamente estendida ao conjunto inteiro do equipamento, salvo quando existe certificado específico cobrindo a montagem completa.

Também é comum negligenciar a manutenção da certificação ao longo do tempo. 

Um aspirador ATEX que passa por reparo com peça fora de especificação, ou que tem componente substituído sem documentação equivalente, pode perder a validade da certificação original sem que ninguém perceba, até que uma auditoria identifique a inconsistência.

O erro de subestimar o custo real de não certificar

Uma objeção comum de gestores de compras é que o aspirador certificado para Zona 21 custa significativamente mais caro que a versão sem certificação, e que a diferença de preço nem sempre parece justificar a troca. 

Essa conta, porém, raramente inclui o custo de uma explosão de poeira, que pode envolver desde danos estruturais até afastamento de colaboradores e parada total da linha por tempo indeterminado.

Vale lembrar que o Pentágono da Poeira, é o conceito técnico que reúne os cinco elementos necessários para uma explosão: combustível, oxigênio, fonte de ignição, dispersão e confinamento. Os cinco estão presentes em praticamente qualquer processo industrial que gera pó fino em ambiente fechado.

Um aspirador não certificado, usado justamente na tarefa de recolher esse pó, pode se tornar a fonte de ignição que faltava para completar essa equação, transformando a própria limpeza no evento que ela deveria prevenir.

A linha ATEX Zona 21 da Brasmo

A Brasmo oferece modelos certificados especificamente para atmosferas explosivas com poeira combustível classificadas como Zona 21. 

O T4 Z21 tem motor trifásico de 4 kW, filtro antiestático e estrutura com aterramento total, indicado para operações que exigem deslocar o equipamento entre diferentes pontos de limpeza dentro da área classificada.

Para operações com geração intensa de poeira combustível, o T7.5H, com motor de 7,5 kW e certificação para Zona 21, entrega mais potência para ambientes críticos ou em centrais de aspiração.

Para áreas onde não se permite eletricidade, o Air 21H opera só com ar comprimido, pelo princípio Venturi, com 380 mbar de vácuo e 80 L de capacidade.

Já tem o estudo de classificação de área da sua planta? 

Envie para o nosso time técnico que indicamos o modelo com a marcação Ex certa para a sua zona. Se ainda não tem, comece conhecendo a linha de aspiradores ATEX da Brasmo .

Perguntas frequentes

Qual norma define a classificação da Zona 21 no Brasil?

A ABNT NBR IEC 60079-10-2, que é a versão brasileira idêntica da norma internacional IEC 60079-10-2, e que serve de base para os projetos de área classificada exigidos pela NR-10.

Um aspirador comum, sem certificação, pode ser usado temporariamente numa Zona 21?

Não. A classificação da área não muda conforme o tempo de uso do equipamento. Qualquer aspiração numa Zona 21, mesmo pontual, exige equipamento certificado com EPL Db ou superior.

Quem é responsável por classificar a área como Zona 21?

A classificação é responsabilidade do projeto de área classificada da própria planta, normalmente conduzido por engenheiro com competência técnica específica, não do fabricante do aspirador.

A certificação do aspirador ATEX precisa ser renovada periodicamente?

O certificado do fabricante segue as regras de manutenção do Inmetro. Na planta, o que mais compromete a conformidade é reparo ou troca de componente sem documentação equivalente, o que exige reavaliação técnica.

Especificar corretamente um aspirador industrial ATEX Zona 21 é uma decisão que envolve classificação de área, marcação Ex, EPL correspondente e escolha entre alimentação elétrica ou pneumática, sempre com base em documentação técnica, não em suposição. 

Conheça a linha de aspiradores ATEX da Brasmo e fale com nossos especialistas para especificar o equipamento certo para a zona classificada da sua fábrica.

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