Como identificar o risco de acidente na sua linha de produção

Quem trabalha em chão de fábrica sabe que os acidentes graves raramente acontecem do nada, e que quase sempre existem sinais antes. Seja uma máquina fazendo barulho diferente, um piso molhado que ninguém sinaliza ou um EPI que ficou guardado no armário. 

O risco de acidente na linha de produção se denuncia, mas só para quem treina o olhar. Segundo o Ministério do Trabalho e Emprego, o Brasil registrou no ano de 2024, 724.228 acidentes de trabalho, com 74,3% de acidentes típicos. Identificar o risco de acidente é o que separa uma indústria em conformidade de uma despreparada

Como a NR-01 muda seu olhar sobre o risco

A atualização da NR-01 colocou o Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO) como obrigação de toda empresa com funcionário registrado. O GRO substituiu o antigo PPRA e foca em não apenas reagir ao acidente, mas também identificar o risco antes dele virar estatística.

O documento que materializa o GRO é o PGR (Programa de Gerenciamento de Riscos), que deve listar todos os perigos da operação, as pessoas expostas e as medidas de controle. 

Se você ainda trata tudo isso como papelada, repense. O PGR bem feito é o mapa que mostra onde o próximo acidente pode acontecer se nada for mudado.

Os cinco grupos de risco de acidente que toda linha de produção tem

A classificação em cinco grandes grupos de riscos ocupacionais, consagrada pela antiga redação da NR-09 e pela Portaria 25/1994, segue sendo a base prática de análise para o GRO exigido pela NR-01

Hoje, cada grupo tem normas específicas que ampliam e aprofundam o controle, mas entender os cinco continua sendo o ponto de partida para identificar onde sua operação está vulnerável e tem risco de acidente.

Riscos físicos

Estar imerso em ambiente com constantes ruídos, vibrações, mudanças de temperatura, radiação e umidade representa o que se classifica como risco físico. Eles podem aparecer em fornos, câmaras frias, prensas, compressores e lavadoras. A NR-09 vigente trata especificamente desses agentes físicos, estabelecendo os limites de tolerância e obrigações.

Riscos químicos

O contato constante com poeira, fumo, gases e produtos de limpeza gera os chamados riscos químicos. São eles os responsáveis por dermatites, alergias respiratórias e queimaduras químicas. A NR-09 também regula esses agentes, e a NR-26 complementa com exigências sobre sinalização e armazenamento de produtos perigosos.

Riscos biológicos

O contato com bactérias, fungos, vírus e parasitas é o que caracteriza os riscos biológicos. Eles estão presentes principalmente em frigoríficos, laticínios e setores de manipulação de alimentos in natura, ambientes onde a higiene industrial é linha de frente contra a contaminação.

Riscos ergonômicos

Postura inadequada, esforço repetitivo, jornada longa e pressão no trabalho respondem por boa parte dos afastamentos por LER/DORT no setor industrial. Esses riscos são regulamentados pela NR-17, que define as condições mínimas de ergonomia nos postos de trabalho.

Riscos de acidentes

Máquinas sem proteção, piso escorregadio, falta de sinalização, armazenamento inadequado e instalação elétrica precária compõem a categoria que mais gera acidentes fatais. O controle desses riscos é distribuído em normas específicas: a NR-12 trata de máquinas e equipamentos, enquanto a NR-26 aborda a sinalização de segurança.

Como fazer uma varredura de risco no dia a dia?

Promover pequenas atitudes diariamente que busquem garantir maior segurança dos colaboradores é um dos pontos mais importantes para que a operação funcione de forma produtiva. Confira alguns passos que se destacam nesse processo:

Analise o ambiente com um olhar auditor

Tente andar mais devagar, de preferência de setor por setor em horários de maior movimento. Observe o que o colaborador está fazendo, com qual postura, e quais equipamentos ele está usando. 

Também é importante estar atento a fatores externos ao colaborador que chamam atenção, ou seja, existe algum barulho estranho, vazamento ou uso de EPI inadequado? Fique atento.

Entreviste quem está na ponta

O operador sabe mais sobre o risco da própria máquina do que qualquer gestor. Ele convive com aquilo oito horas por dia. Direcione suas dúvidas sobre o funcionamento do equipamento a ele, pedindo para que lhe indique o que o incomoda, quebra com frequência ou que ele faz de improviso quando algo trava. 

Analise o histórico de afastamentos e quase-acidentes

Nem todo risco já virou acidente, mas quase todo acidente já teve um quase-acidente antes dele. Registre os “vacilos” que deram certo, não só os que deram errado. É ali que mora o próximo problema.

Sinais de alerta que costumam passar batidos

Existem alguns indicadores que são grandes alertas de problemas na linha de produção. Entre eles podemos citar: 

  • O uso de EPIs apenas em ocasiões específicas, ou que não estão adequados para a função. É importante que os EPIs sempre estejam adequados às exigências da NR-6, que é a norma dos EPIs.
  • Piso molhado sem sinalização, corredores com material acumulado, caixas em locais de passagem, por exemplo, são situações que parecem detalhes até que haja um acidente. 
  • A falta de higiene industrial, com resíduos acumulados em piso, panos mal utilizados e produtos de limpeza em locais inadequados geram riscos biológicos, químicos e físicos ao mesmo tempo. Por isso as boas práticas de higiene industrial entram no pacote de prevenção.

Como transformar a identificação em ação

Identificar o risco de acidente  é metade do trabalho. A outra metade é priorizar e agir. Depois da identificação é necessário que você classifique cada risco por probabilidade de ocorrência e por severidade do dano possível. 

Para cada risco crítico, é importante definir qual medida de controle adotar, qual o prazo, e quem é o responsável. 

Há mais de 30 anos a Brasmo apoia esse processo, fornecendo EPIs certificados com CA válido e soluções de higienização industrial que reduzem riscos físicos, químicos e biológicos na linha de produção. Assim, é possível atingir a segurança industrial com mais facilidade, adotando um passo a passo de boas práticas aplicáveis em qualquer operação.

A importância da cultura de segurança

Nenhum programa que previne risco de acidente funciona sem cultura de segurança. Se a liderança relativiza, o chão de fábrica também. Por isso, é muito importante que ocorram treinamentos, Diálogo Diário de Segurança (DDS), SIPAT e ficha de EPI assinada para prevenir acidentes. 

Para estruturar o controle dos equipamentos da melhor forma, é importante que ocorra a consulta à ficha de EPI, que mostra como formalizar a entrega, substituição e treinamento de cada item. Contar com a documentação em dia é o que protege a empresa em auditoria e protege o colaborador no dia de uma investigação de acidente.

Quer ajuda para mapear os riscos da sua linha e selecionar os EPIs certos para cada função? Nosso time pode te apoiar nesse processo.

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